Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC realiza seminário para discutir mobilidade na região da Universidade

19/09/2016 12:40

No dia 21 de setembro, o Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC irá promover o Seminário Mobilidade Urbana na UFSC e no seu Entorno – Situação Atual e Alternativas de Melhorias, para debater a mobilidade urbana no Campus da Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e nas regiões adjacentes. O evento ocorre na véspera do Dia Mundial Sem Carro e aproveita a oportunidade para abordar e debater a acessibilidade em uma das regiões de maior fluxo de pessoas de Florianópolis.

Neste seminário, serão debatidas questões relacionadas à implantação do BRT em Florianópolis e as oportunidades para a UFSC e seu entorno. Além disso, o Observatório apresentará algumas análises e propostas de ajustes relacionadas às mudanças na infraestrutura e na operação do transporte coletivo na região.Também serão discutidas questões relacionadas à implantação de ciclovias, melhorias em calçadas, estacionamentos e ao incentivo à redução de viagens individuais motorizadas.

“Quando a UFSC foi construída, imaginava-se que ficaria isolada da cidade, mas não foi isso que aconteceu. Na década de 80, o trânsito intensificou tanto que foi proibido o acesso de veículos nas vias internas da universidade, aumentando o tráfego periférico e evidenciando os problemas de mobilidade na região. Desde então, nada mais foi feito para modificar a situação”, explica Roberto de Oliveira, professor do curso de Engenharia Civil da UFSC e membro do Observatório.

Oliveira ressalta que o campus da Trindade foi construído com base na circulação de veículos motorizados e no modelo norte americano de universidades. Porém, diferente do que acontece nos Estados Unidos, na UFSC não foram incorporadas as moradias estudantis, gerando um deslocamento diário de estudantes. Além disso, falta dar prioridade ao pedestre, a quem, segundo Roberto, é destinado apenas o espaço viário que sobra no plano geral do Campus.

“Para resolver o problema de mobilidade urbana na UFSC precisamos redividir o espaço público respeitando a ordem de prioridade: primeiro o pedestre, seguido do ciclista, do transporte coletivo e do transporte individual. Só assim será possível que todos consigam circular pela universidade e que as atividades que acontecem ali continuem funcionando normalmente“, complementa Dora Maria Orth, professora do curso de Engenharia Civil da UFSC e membro do Observatório.

Duplicação da Edu Vieira

Um dos temas do evento será o projeto de ampliação da Rua Deputado Antônio Edu Viera. Durante o seminário, a equipe do Observatório irá apresentar cenários que estão sendo avaliados em função da ampliação da via, evidenciando os impactos diretos e indiretos da obra no entorno do Campus Trindade, com foco nos benefícios para o transporte coletivo público. Neste trecho, além de duas faixas para tráfeConvite Seminario UFSC - Corrigido 140901go misto, será construído um corredor exclusivo de ônibus, ciclovias e calçadas.

O Seminário Mobilidade Urbana na UFSC e no seu Entorno – Situação Atual e Alternativas de Melhorias será realizado no Auditório Teixeirão, do departamento de Engenharia Elétrica da UFSC, dia 21 de setembro, quarta feira, a partir das 18:30. Não é necessária inscrição prévia para participar.

Canais do Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC

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Proposta preliminar de novo sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Florianópolis traz mudanças operacionais e de infraestrutura

13/09/2016 18:52

Nesta terça-feira, 30 de agosto, a equipe do Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC apresentou propostas para um novo sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Florianópolis – RMF. A apresentação foi parte do 2º Seminário de Integração Metropolitana do Transporte Coletivo, que abordou questões operacionais, de infraestrutura e de política tarifária. Após a exposição, foi realizado um debate durante o qual foram aprofundadas e esclarecidas questões referentes ao modelo proposto.

O evento foi realizado no auditório da Associação dos Municípios da Grande Florianópolis – GRANFPOLIS e contou com a presença de cerca de 80 participantes – entre representantes de órgãos públicos, de entidades da sociedade civil, profissionais da área e da população em geral.

Mapa mostra as estações e corredores de transporte coletivo propostas pelo Observatório. Fonte: Divulgação

Mapa mostra as estações e corredores de transporte coletivo propostas pelo Observatório. Fonte: Divulgação

Sistema Tronco-Alimentador

O novo sistema proposto pelo Observatório para a Região Metropolitana de Florianópolis segue as diretrizes gerais do PLAMUS – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis, e se baseia no chamado sistema tronco-alimentador. Nesse formato, as linhas troncais operam os eixos  de maior demanda de passageiros, com maior  oferta de horários, enquanto as linhas alimentadoras conectam esses eixos troncais com áreas de menor demanda de passageiros.

“A operação que estamos propondo visa diminuir a sobreposição de linhas por meio de uma troncalização do sistema, melhorando a eficiência,  aumentando as frequências dos serviços e diminuindo os tempos de viagem dos usuários”, explica Célio Sztoltz, pesquisador associado do Observatório.

Obras de insfraestrutura

A infraestrutura necessária para a operação do sistema proposto inclui corredores de BRT, faixas exclusivas para ônibus, terminais de integração e estações de pré-embarque. A proposta do Observatório focou na porção continental da RMF, tendo em vista que Florianópolis já possui um sistema licitado em operação.

Estão previstos quatro corredores de transporte público coletivo – o corredor BR-101, o corredor Via Expressa, o corredor Continental Sul (que abrange a Av. Presidente Kennedy, a Beira Mar de São José e a Av. Gov. Ivo Silveira), e o corredor Continental Norte (que abrange a Rua Leoberto Leal, a Av. Marinheiro Max Schramm, a Rua Eurico Gaspar Dutra e a Rua Fúlvio Aducci). Os dois primeiros são corredores de BRT e os outros são faixas exclusivas para ônibus.

Estão sendo previstos também quatro terminais de integração – dois em São José, um em Biguaçu e um em Palhoça – além de 11 estações de BRT na BR-101 e Via Expressa, a serem implantados gradativamente. A localização dos terminais e das estações foi determinada após estudos extensos e detalhados que consideraram diversos aspectos relevantes  ao transporte coletivo, como densidade populacional, densidade de emprego, dados de origem e destino, análise do tecido urbano, facilidade de acesso para o usuário, facilidade de integração entre linhas de ônibus e o BRT, entre outros. Diferente dos pontos de ônibus, as estações estão alocadas no centro da via e no mesmo nível do piso do ônibus, e a cobrança de tarifas é feita no acesso à estação.

“O ideal é que as estações estejam localizadas onde as moradias e os empregos estão, que tenham fácil acesso para o pedestre e que estejam distribuídas de forma a facilitar a integração e atender o maior número de pessoas”, afirma Eduardo Leite Souza, arquiteto do Observatório.

Imagem conceitual de estação de BRT na Via Expressa. Fonte: Divulgação.

Imagem conceitual de estação de BRT na Via Expressa. Fonte: Divulgação.

Divulgação de pesquisa de integração intermunicipal

Durante o seminário também foram divulgados os resultados de pesquisa realizada pela equipe do Observatório no TICEN e no Terminal Cidade de Florianópolis, com mais de 3.500 usuários das linhas de ônibus intermunicipais. Segundo a pesquisa, cerca de 30% dos usuários que utilizam o serviço intermunicipal integram para o serviço municipal no centro de Florianópolis. Cerca de 70% caminham até o seu destino final a partir desses terminais. O dado surpreendente foi que a média de caminhada chega a 790 metros por pessoa, com alguns deslocamentos atingindo até 2 quilômetros.

“Um dos motivos das pessoas se disporem a caminhar tanto é a falta de integração tarifária. Entre pagar mais uma passagem e percorrer grandes distâncias a pé até o destino final, observamos que alguns optam pela segunda opção”, analisa Célio Sztoltz, pesquisador associado do Observatório.

A solução que está sendo pensada pelo Observatório é a cobrança de tarifa com patamares de integração. Desta maneira, não há a necessidade de o usuário pagar uma segunda tarifa integral para fazer transbordo entre linhas distintas, pagando somente um valor adicional reduzido para completar a viagem até o destino final.

O Projeto NeoTrans

Os trabalhos apresentados no seminário fazem parte do Projeto Neotrans, um projeto do Observatório em convênio com a Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis (SUDERF). Segundo Guilherme Medeiros, engenheiro da SUDERF, a proposta apresentada está perfeitamente alinhada com os interesses do Governo do Estado de Santa Catarina, e servirá de base para reestruturação e licitação da operação do sistema de transporte coletivo da região.

“O estudo que o Observatório está desenvolvendo em parceria com a SUDERF é de alto interesse público e por isso trabalhamos para que o resultado seja efetivamente aplicado.”, diz Guilherme Medeiros.

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